Matéria no Jornal Cruzeiro do Sul em 24.09.2009.
Aos 23 anos, Antonio Prata não "estava plenamente na idade adulta". Era um homem em formação, "olhando o mundo com estranhamento". Na mesma época, em 2001, ele iniciara uma coluna na revista "Capricho", em que se propunha a falar com as jovens que viviam a difícil fase da adolescência. "Nunca tentei falar como adolescente, era um jovem adulto falando", explica. Foi assim até o ano passado, quando terminou a sua participação no periódico. Como resultado da experiência, Prata organizou "Adulterado" (Moderna, 146 págs., R$ 29,50), seu sétimo livro, uma coletânea de 51 crônicas produzidas para a coluna "Estive Pensando", o primeiro espaço para o qual "escreveu coisas fixas".
Hoje colunista quinzenal do caderno "Metrópole", do jornal "O Estado de S.Paulo", Antonio Prata diz ter selecionado as melhores crônicas, definidas como aquelas que se defenderam melhor em relação à passagem do tempo. A princípio, ele encontrou resistência da editora com os textos sobre sexo, drogas e religião. "Havia um medo que esses assuntos impedissem a adoção do livro pelas escolas", diz. Ele convenceu os editores argumentando que "os leitores sem oportunidade de estudar em escolas liberais poderiam ter acesso a assuntos como o homossexualismo e o aborto".
Empenhado na escrita de um romance, ambientado em Xangai, para o projeto literário "Amores Expressos", Prata diz que a primeira e a última crônicas explicam a sua posição no livro. Em "Adulterado!", ele se espanta com o envelhecimento, notado num forró onde encontrou frequentadores mais jovens do que ele e numa mesa de bar compartilhada com aquele que foi seu coordenador pedagógico. "Despedida", escrita sete anos após estrear na "Capricho" e em seguida ao aparecimento dos primeiros fios brancos de barba, é uma declaração de gratidão do cronista - revela às leitoras como ignoram quanto ele aprendeu com elas. "Para escrever aqui, semana sim, semana não, por sete anos, fui obrigado a olhar para trás, para a frente, para os lados e, principalmente, para dentro. Escrevendo o "Estive Pensando", eu me tornei cronista e, de certa forma, adulto."
Com o tempo, e por causa da internet, Prata criou um diálogo mais intenso com as adolescentes. Descobriu os blogs após o 11 de Setembro (2001). Alertado pela irmã, que então morava nos EUA, ele acessou as ferramentas para descobrir informações mais quentes sobre os atentados. Depois entraram em cena o Orkut e Facebook, sites de relacionamento. Hoje Prata mantém um blog no portal do "Estado": http://blog.estadao.com br/blog/antonioprata/.
Embora haja muitos colunistas, resta pouco espaço para as crônicas com C na imprensa nacional, segundo Prata. Por crônica ele entende o que o capixaba Rubem Braga (1913-1990) fez com maestria. "O mundo caindo e Rubem falando da varanda", diz. "Com seu estilo errante, a crônica é o espaço do respiro." Autor de "Bar Ruim É Lindo, Bicho" - "Eu sou meio intelectual, meio de esquerda..." -, crônica pela qual é mais conhecido, Antonio Prata diz fugir aos assuntos mais comentados do momento. A ele interessa a descoberta do detalhe, relatado sem a necessidade de cuspir regras. Quando escreveu para a "Capricho", teve de considerar o público-alvo. Mas a preocupação não o impediu de abordar temas universais como o amor, essa coisa tão linda quanto complicada, assim adjetivou o cronista.(AE)
sábado, 26 de setembro de 2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Matéria sobre João Soares Neto na Gazeta do Nordeste
Reportagem veiculada no Caderno 3 da Gazeta do Nordeste de 24/09/09.
O escritor João Soares Neto lança hoje, às 19h30, no Centro Cultural Oboé (Rua Maria Tomásia, 531), o livro de crônicas "Conversa de Domingo". João escreve todas as semanas em jornais e sites e resolveu reunir alguns dos seus escritos em livro.
Conta que suas crônicas brotam do que ocorre em Fortaleza, no Brasil e no mundo. "São assuntos e situações que me puxam. Eu não procuro assuntos. Não uso a desculpa de falta de assuntos. O mundo é o assunto. Apenas os coloco sob a minha ótica pessoal ou analiso questões".
Mesmo assim, João Soares Neto tem várias referências. Entre elas, Carlos Heitor Cony e Zuenir Ventura. "Sabem que escrevem para jornal, mas têm conteúdo literário. Daí serem nomes inquestionáveis". Cita, ainda, João Pereira Coutinho, escritor português que colabora com a "Folha de S. Paulo".
A crônica tem se modificado historicamente. Do século XIX até os dias atuais, o Brasil teve grandes cronistas. Com os impactos dos meios tecnológicos, excesso de informações, exposição de pessoas comuns em blogs, tweitter, fotoblogs, a crônica se modifica. Para João Sares, a crônica ou artigo tem que ter uma feição global. "O cronistas não pode ficar somente em seu mundinho. Tem que ter sentimento do mundo, uma feição mais global. Eu tento fazer isso", diz.
A parafernália tecnológica, de algum modo, se apropria dos contornos factuais típicas da crônica. Quer dizer, no futuro até podem substituí-la ou mesmo com ela conviver. João Soares assinala que o gênero se mantém. "Vivemos o hoje e isso indica que as oficinas literárias no Rio e São Paulo estão cheias de blogueiros aprendendo a escrever o lendo para saber ler. A mesma crônica ou artigo em jornal sai no próprio site do jornal, no meu site e em um site paulista (Amigos do Livro). Como não sei quem me lê, escrevo de forma clara, sem muita apelação literária. Escrevo para ser lido".
Em seu livro " Conversas de Domingo", João Soares buscou a simplicidade. Ao contrário de muitos, diz que o "domingo não é um dia chato".
- Mas um dia para um mergulho pessoal. Claro que ler depende dos valores de quem pega um jornal ou um livro. O domingo não pode ser só praia, roda de samba e futebol. Isso faz parte, mas o domingo tem as mesmas horas dos outros dias.
João Soares Neto aborda diversos assuntos em suas crônicas. Desde questões relacionadas ao hábito da leitura até textos mais críticos em relação a aspectos da realidade. Aborda também questões mais subjetivas como a utopia e a esperança, dois tópicos contrários ao ceticismo, à aridez da realidade. Acredita na esperança, "mesmo quando não nos entendem ou distorcem o que fazemos. Cristo, buda e Maomé não foram compreendidos. Mas tento, especialmente com as pessoas a quem amo".
Depois de "Conversa de Domingo", João Soares Neto lançará um novo livro. Uma obra que prepara há cinco amos. "É um conjunto de entrevistas com ´Gente que Conta´. Cito apenas dois entrevistados: Chico Anysio e Ana Miranda. Os outros são do mesmo nível, todos cearenses. Não há nele preocupação em bajular, mas em descobrir facetas novas das pessoas.
João Soares Neto é membro da Academia Fortalezense de Letras, da Associação Brasileira de Bibliófilos e Cônsul Honorário do México no Ceará. É autor de mais de 700 crônicas, artigos, ensaios, críticas literárias, contos e microcontos.
Conta que suas crônicas brotam do que ocorre em Fortaleza, no Brasil e no mundo. "São assuntos e situações que me puxam. Eu não procuro assuntos. Não uso a desculpa de falta de assuntos. O mundo é o assunto. Apenas os coloco sob a minha ótica pessoal ou analiso questões".
Mesmo assim, João Soares Neto tem várias referências. Entre elas, Carlos Heitor Cony e Zuenir Ventura. "Sabem que escrevem para jornal, mas têm conteúdo literário. Daí serem nomes inquestionáveis". Cita, ainda, João Pereira Coutinho, escritor português que colabora com a "Folha de S. Paulo".
A crônica tem se modificado historicamente. Do século XIX até os dias atuais, o Brasil teve grandes cronistas. Com os impactos dos meios tecnológicos, excesso de informações, exposição de pessoas comuns em blogs, tweitter, fotoblogs, a crônica se modifica. Para João Sares, a crônica ou artigo tem que ter uma feição global. "O cronistas não pode ficar somente em seu mundinho. Tem que ter sentimento do mundo, uma feição mais global. Eu tento fazer isso", diz.
A parafernália tecnológica, de algum modo, se apropria dos contornos factuais típicas da crônica. Quer dizer, no futuro até podem substituí-la ou mesmo com ela conviver. João Soares assinala que o gênero se mantém. "Vivemos o hoje e isso indica que as oficinas literárias no Rio e São Paulo estão cheias de blogueiros aprendendo a escrever o lendo para saber ler. A mesma crônica ou artigo em jornal sai no próprio site do jornal, no meu site e em um site paulista (Amigos do Livro). Como não sei quem me lê, escrevo de forma clara, sem muita apelação literária. Escrevo para ser lido".
Em seu livro " Conversas de Domingo", João Soares buscou a simplicidade. Ao contrário de muitos, diz que o "domingo não é um dia chato".
- Mas um dia para um mergulho pessoal. Claro que ler depende dos valores de quem pega um jornal ou um livro. O domingo não pode ser só praia, roda de samba e futebol. Isso faz parte, mas o domingo tem as mesmas horas dos outros dias.
João Soares Neto aborda diversos assuntos em suas crônicas. Desde questões relacionadas ao hábito da leitura até textos mais críticos em relação a aspectos da realidade. Aborda também questões mais subjetivas como a utopia e a esperança, dois tópicos contrários ao ceticismo, à aridez da realidade. Acredita na esperança, "mesmo quando não nos entendem ou distorcem o que fazemos. Cristo, buda e Maomé não foram compreendidos. Mas tento, especialmente com as pessoas a quem amo".
Depois de "Conversa de Domingo", João Soares Neto lançará um novo livro. Uma obra que prepara há cinco amos. "É um conjunto de entrevistas com ´Gente que Conta´. Cito apenas dois entrevistados: Chico Anysio e Ana Miranda. Os outros são do mesmo nível, todos cearenses. Não há nele preocupação em bajular, mas em descobrir facetas novas das pessoas.
João Soares Neto é membro da Academia Fortalezense de Letras, da Associação Brasileira de Bibliófilos e Cônsul Honorário do México no Ceará. É autor de mais de 700 crônicas, artigos, ensaios, críticas literárias, contos e microcontos.
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A crônica, segundo Affonso Romano de Sant'Anna
Escritor comenta situação do gênero e sugere que ele pode se desgarrar do jornal
por Henrique FendrichA crônica é um gênero singular que geralmente escapa de classificações teóricas. Jornalismo e literatura tentam encaixá-la dentro de seus conceitos, mas nem sempre dão conta de explicar a diversidade de textos que dela fazem parte. À margem do debate acadêmico, a crônica conseguiu se tornar um dos gêneros mais populares no Brasil – a tal ponto que se reivindica para ela um caráter nacional. Ainda existe, no entanto, quem questione a sua capacidade de sobrevivência fora das páginas supostamente efêmeras do jornal.
O Rés-do-Chão tentou flagrar o gênero fora de seus estereótipos e entrevistou Affonso Romano de Sant’Anna, que, entre suas atividades literárias, atualmente é cronista no Estado de Minas e Correio Brasiliense. O escritor estará em Curitiba no dia 09/10 e participará de uma mesa-redonda sobre o gênero, em companhia de Ignácio de Loyola Brandão. A atividade faz parte da programação da 28ª Feira do Livro do Sesc/PR.
Pasquim Cultural: A crônica continua com a missão de suavizar o noticiário convencional? Qual o espaço do gênero na imprensa atual?
Affonso Romano de Sant’Anna: Há vários tipos de crônica. A que visa “suavizar” é um dos tipos. Era assim no passado. Machado dizia que o cronista era um beija-flor. Hoje a crônica é mais do que isto, é também “participante”. Se alguma contribuição dei ao gênero, foi trazê-lo, a partir dos anos 80, para perto da realidade, não o restringindo ao lirismo e ao episódico. O livro “Nós os que matamos Tim Lopes”, sendo seleção de crônicas publicadas nos últimos 20, 30 anos, é, por exemplo, a história da violência no país. Já não tem nada de Rubem Braga, Fernando Sabino ou Drummond. Já “Tempo de delicadeza”, mais recente, é dentro dessa tradição.
PC: Existem características ideais para a crônica? A variedade de estilos entre os cronistas permite que se chegue a uma conclusão sobre o que é a crônica?
ARS: Fernando Sabino contava estórias. Rubem fazia lirismo, Paulo Mendes Campos fazia experiências formais. Posso falar de mim. Eu trabalho de várias formas, para evitar o monoestilo: crônicas sobre episódios do cotidiano, sobre memórias, sobre ideias, sobre política, usando diálogos, narrações, descrições, enfim, intercalando estilos e gêneros diversos, tanto para descansar o leitor (alvo final) quanto para exercitar outros ângulos de visão. Mas ultimamente, por exemplo, tenho tentado reunir as crônicas de acordo com temas. Depois daquele sobre a “violência” e o outro sobre “delicadeza”, estou entregando um livro “Ler o Mundo”, seleção de crônicas sobre a questão da leitura, livros, bibliotecas.
PC: Críticos literários como o Massaud Moisés duvidam da sobrevivência do gênero fora do jornal ou da revista. Como você enxerga a transição das crônicas para o formato do livro?
ARS: Volta e meia recebo livros de crônicas de pessoas que não as publicam em jornal. É como se fossem contos, poemas inéditos. Claro que o jornal a revista são suportes tradicionais, mas hoje a internet está aí. Vai ver que a crônica, no Brasil sobretudo, pode desgarrar-se do jornal.
PC: O gênero conseguiu uma autonomia para isso? A internet possibilita que novos escritores divulguem seus textos com maior facilidade.
ARS: É um dos caminhos novos. Passando no teste da internet, no entanto, o autor quer mesmo é chegar ao livro.
PC: O jornal é lido por pessoas com os mais diversos interesses. Como lidar com a diversidade desse público?
ARS: O cronista tem que saber que não agrada sempre. Tem dia que atende ao público A, depois ao B, depois a C e até ao Y. Não se pode atingir o alvo o tempo todo, mesmo porque o alvo é móvel, e o cronista também.
Crônicas de Affonso Romano de Sant’Anna podem ser acessadas aqui.
A Crônica de Carlos Herculano Lopes
Carlos Herculano Lopes é mineiro, e talvez por isso quase tenha passado despercebido na I Bienal do Livro de Curitiba. Na mesa-redonda que participou, sobre literatura no novo milênio, foi ofuscado pela elegância de Domingos Pellegrini e pela impetuosidade de Clarah Averbuck. Mas houve espaço para um debate paralelo sobre a crônica – que dificilmente é tema de discussões, mas sempre acaba surgindo durante a conversa.
Lopes escreveu em torno de 600 crônicas para o Estado de Minas, várias delas depois lançadas em coletâneas como “O Pescador de Latinhas”, “O Chapéu do Seu Aguiar”, e outras. O autor foi criado no jornalismo antigo, ainda na máquina de escrever. Acha fascinante as novas tecnologias, e se admira com as possibilidades que elas oferecem para o gênero da crônica: “A resposta do leitor é rápida. Pouco tempo depois do jornal sair, recebo emails comentando”. E se já passar do meio-dia e ninguém tiver comentado, não precisa se iludir: ninguém irá comentar mesmo.
Para o jornalista, não é possível precisar do que o leitor irá gostar na crônica – normalmente, uma passagem que o próprio escritor não achava tão importante é o que chama mais a atenção do leitor e o motiva a comentar. E isso torna o gênero ainda mais atraente. Mas Lopes não pensa no leitor quando escreve, e também sente a dificuldade natural de quem precisa escrever respeitando uma periodicidade: a falta de assunto. “Mas em Minas, as crônicas com maior sucesso são as que falam de casos”. Uma vez encontrado o mote, Lopes escreve a sua crônica em 40 ou 50 minutos – o que, na verdade, é um tempo parecido com a duração do gênero nas páginas do jornal.
A Casa de Vidro de Miguel Sanches Neto
Miguel Sanches Neto lê mais do que escreve – e não escreve uma coisa só, mas, como Leminski, pratica todos os gêneros provincianos. Entre eles, a crônica, publicada semanalmente em um jornal de Curitiba. É o único gênero em que Sanches não precisa alcançar um estado de indignação para poder escrever. Quando escreve um romance ou um conto, a sua literatura nunca se realiza em temperatura morna. Mas a crônica segue uma periodicidade que independe da disposição de seu autor. E, ainda assim, o gênero tem a preferência de Sanches. “A crônica é o espaço literário mais saboroso. É o gênero em que me sinto melhor”, admite.
Para o escritor, não existe distanciamento entre vida e literatura na crônica. A cumplicidade entre escritor e leitor também aumenta. “Na crônica, minha casa se torna de vidro. Todos conseguem enxergar lá dentro”. E o que eles enxergam? Aquilo que normalmente se espera de uma crônica: os assuntos aparentemente irrelevantes do cotidiano, “os pequenos nadas”, que passariam despercebidos se não fosse a ação do cronista. No caso específico de Sanches, a sua família fornece grande parte dos assuntos que aborda. O escritor, ao procurar assuntos que, semanalmente, deve transformar em crônica, lança um olhar mais intenso para a sua própria realidade. E, ao publicar seu texto, ela passa a fazer parte também da vida de seus leitores – a tal ponto que muitas pessoas lhe perguntam sobre seus filhos e sua esposa, pessoas que não conhecem senão pelas suas crônicas.
Mas apesar de abordar temas próximos e que envolvem pessoas reais, a crônica de Sanches não é livre de certas artimanhas ficcionais. “Eu não abro mão da mentira. A minha crônica tem que funcionar como literatura, e não biografia”. Embora o sentido de muitas histórias seja verdadeiro, o escritor usa a imaginação para preencher alguns detalhes daquilo que está contando. O leitor se vê confuso e não sabe mais até que ponto acreditar no que lê. E, às vezes, o cronista conduz o leitor de tal maneira que ele só descobre ao final do texto que se trata de uma mentira – como em uma crônica sobre uma casa de praia… em Ponta Grossa. Em outras vezes, no entanto, Sanches escolhe utilizar a terceira pessoa na narrativa, para mostrar abertamente que o assunto é ficcional, e não biográfico.
Pois assim foram sendo feitas as crônicas de Sanches, até que um dia – aproveitando que já havia publicado romances, e que então podia ser aceito pelo mercado editorial em outros gêneros – decidiu reuni-las sob a forma de um livro – transição geralmente problemática. “Existem crônicas que envelhecem uma semana depois de publicadas”, reconhece. Por isso, o cronista se mantém atento e seleciona para a sua coletânea apenas aqueles textos que, na sua ótica, não possuam assuntos excessivamente datados. Muitas vezes, é apenas depois de publicar o livro que o escritor percebe se fez a escolha correta. Sanches escreveu uma crônica na época das denúncias sobre o leite adulterado. Gostou do resultado e quis que fosse registrada em livro. Só depois se deu conta do equívoco: seria preciso uma nota de rodapé com pelo menos cinco linhas para poder situar o leitor.
As crônicas escolhidas são, portanto, aquelas com temática menos factual. Aquelas que falam de coisas que Sanches observa na vida reclusa que leva em Ponta Grossa. Coisas que dizem respeito à sua própria família, mas que, depois de publicadas, são vistas pelo mundo. E o mundo então se torna íntimo:
- E a família, como vai? A Juliana? A Karine? E o pequeno Antônio? Aprendeu mais alguma palavra?
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